Os segredos do tráfico e do uso de crack contados por quem já viveu na pele.
da Redação

C.G.: "Meu filho certamente entrará neste mundo."
“Sai que nem água. Todo mundo viciou nele. Uns fumam na latinha, outros enrolado no cigarro. Depende do que o pessoal quer”. Essa é a revelação que C. G., ex-traficante e usuário de drogas como o crack, faz sobre a substância.
Esta droga é uma das que possuem efeitos mais fortes para o organismo, em especial o cérebro. Quem a utiliza geralmente fica dependente no primeiro uso. Dentre as conseqüências imediatas de seu uso citam-se aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial e sensação de bem-estar. Esta última encerra-se em menos de 15 minutos e a pessoa passa a necessitar cada vez mais de consumir a droga.
De acordo com o ex-usuário, a droga chegou a menos de três anos no Distrito Federal e um grama da substância custa R$ 20 reais. Quem investe no tráfico multiplica rapidamente seu dinheiro. “O cara compra cinco gramas por R$ 45 reais e vende tudo por mais de R$ 130. Às vezes vende “meia” grama por cinco, outras por dez. Depende do grau de amizade com o usuário”, explica.
O ex-traficante conta que os usuários fazem de tudo para obter mais droga e isso gera assaltos, por exemplo. Eles roubam vizinhos e levam também o que têm em casa para alimentar o vício. “Muita gente já chegou a roubar varal dos outros na mesma rua e levar sacola com roupa para negociar”, afirma.
Sobre o consumo ele diz: “Não dá nem três segundos para fumar. O usuário só acende e pronto. Depois o cara fica doido e quer mais”. Isso ocorre porque os componentes do crack provocam uma espécie de desejo por mais droga o que gera uma dependência quase que instantânea.
C.G. possui passagem pela polícia por tentativa de homicídio, mas nunca foi preso por tráfico. Ele tem um filho de dois anos e não descarta a possibilidade do menino entrar para o tráfico. “Até que eu imagino meu filho neste mundo porque na casa onde ele mora todo mundo usa. A mãe dele é drogada também.”
“O vício é muito “cabuloso”. Não é todo mundo que sustenta. É dinheiro de mais”, conclui.
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